miércoles, 30 de marzo de 2011

Intercomunicador

"Bom dia, eu sou a Ana Cristina e estou aqui com a minha amiga a espalhar uma mensagem de esperança. Gostaria de lhe perguntar se acha possível que um dia venhamos a viver num paraíso aqui na Terra?"

Poderia só ignorar a Ana Cristina, mas fiquei a cismar que raio de processo permite atingir este estado? Como alguém está disposto a elaborar sobre as possibilidades e impossibilidades do devir, assim, sem preliminares, às 10h da manhã?

lunes, 28 de marzo de 2011

"Oliver e Benji", by Paulo Futre


Não é por causa dos lindos olhos verdes dele, nem por ter sido um competente dragão, mas eu acho que as sugestões de Paulo Futre deveriam ser dignas de reflexão mais do que de chacota! A forma não foi a mais eficaz, mas a mensagem de que o Sporting deveria contratar um bom jogador chinês e assim atrair adeptos e consequentemente receitas made in China ou by chineses não é disparatada! É só ingénua e deselegante: escusavas de escancarar que pretendias usar o chinês como isco!
Ainda há dias ouvia falar da legião de jornalistas japoneses que seguem Yuto Nagatomo para todo o lado desde que ele se transferiu para o Inter. Quanto é que o Inter ganha com isso? Publicidade gratuita ao clube no Japão e certamente muitos bilhetes dos jogos do clube vendidos a japoneses e merchandising ando so on... O Barcelona e o Real Madrid há anos que andam a piscar o olho à Asia e, ao que dizem, com sucesso: há anos que se vendem bilhetes a turistas dipostos a pagar para ver as estrelas no Camp Nou e no Santiago Bernabéu! E os catalães têm angariado sócios, imagine-se, no Japão! O que isso não fará pelas receitas publicitárias e de merchandising do clube... E não é que a revista de Manga e série televisiva "Olivier e Benji" também ajudou o Barça a facturar...
Futre, eles não sabem nem sonham! Pérolas a porcos!

martes, 22 de marzo de 2011

ARTUR

Qualquer coisa como "a variedade é o prazer da vida", disse Artur Agostinho, numa entrevista hoje recordada na TSF, feita por Carlos Vaz Marques. Citava um lema dos ingleses por altura da segunda guerra mundial, quando as coisas azedavam. Acho que era isto.

O que me interessa é que concordo. E como. Mesmo quando esta paixão pela variedade me impede de investir no aperfeiçoamento, na especialização e impede, muitas vezes. A especialização que sem dúvida beneficiaria o todo mais do que a mim e nestas coisas, manda mais o tal hedonismo que me move. Ou egoísmo, talvez.

Admiro sempre quem tirou partido da vida, como Artur Agostinho.

lunes, 21 de marzo de 2011

Japoneses

Eram de Tóquio e comiam a menos de um metro de nós. As mesas daquele restaurante do bairro da Ópera, em Paris, quase que se colavam, mas a privacidade ali era garantida à priori, pela proveniência de cada um. Assim, tornava-se pouco provável que se juntassem portugueses em duas mesas contíguas.
A primeira imagem que tenho deles é que jamais davam tréguas ao sorriso, sempre que nos dirigiam o olhar. A certa altura, pedimos champanhe para nós e decidimos que fazia sentido partilhar o brinde. Brindamos os quatro. Demorámos algum tempo a perceber que "animun" era uma pergunta que significava "estais também em Lua de Mel?" Paris era a primeira étapa da deles. Seguiam para o Dubai depois...
Trocámos endereços de e-mail para trocar fotos e prolongar o encontro. Não aconteceu. Guardei os deles algures no caderninho de viagem na mesma caixinha dos bilhetes dos museus, das contas dos cafés e dos restaurantes (que eram muitas vezes as duas coisas, que as rendas são caras e há que rentabilizar os espaços) das revistas e jornais por lá comprados... Ontem lembrei-me deles, apeteceu-me saber deles, que são o mais perto que conheci dos japoneses...

Lembro-me agora que conheci outros dois numa viagem a Burgos... I wonder...

martes, 15 de marzo de 2011

Mind the gap!

A propósito destes jovens desnorteados, fiquei a pensar numa entrevista que o Gonçalo Cadilhe deu à Inês Menezes, na Radar. A certa altura ele lembrava que nos países de cultura anglo-saxónica, se não tens uns meses de experiência a viajar pelo mundo, no CV, és olhado de lado... Tipo, mas este gajo, não fez mais nada na vida? Só estudou!
Terminados os estudos, é normal e valorizado o chamado GAP year para viajar! Claro que a viagem pode e deve ser financiada por trabalhos casuais por esse mundo fora: vindimas, servir em restaurantes...
Tudo isto me soa melhor do que o côro de lamentações ocas de maturidade que tenho escutado!

Tenho para mim, que a altura melhor para o fazer é mesmo depois de obtido o canudo e se há coisa de que me arrependo foi de não prolongar a minha estadia de dois meses em Antuérpia (uma espécie de Erasmus, mas a trabalhar numa companhia de teatro), arranjar um trabalhinho por lá e de lá para o mundo!
Em vez de um interrail, deveria ter feito meia dúzia!
Um dia, quererei que as minhas crias criem asas e voem por esse mundo fora e espero que nesse dia o meu medo e/ou egoísmo não abafe aquilo em que acredito hoje!

viernes, 11 de marzo de 2011

Parvos, ma non troppo...

aqui escrevi sobre o barulho em torno da música dos Deolinda e do que chamam de "geração à rasca"... e a minha crença inicial era a de que se estava a fazer "tanto barulho para nada"...
Mas eu sou dada a mudar de ideias (não raras vezes) e hoje já me parece que talvez não seja bem assim... é que bem vistas as coisas, quão conscientes e informados estavam os manifestantes, os críticos, de cada vez que no passado se abanou o sistema?
É verdade que eu fiquei traumatizada com muitos dos protagonistas do "não pagamos" propinas (com quem convivia nas tascas onde jamais se recusavam a pagar as facturas das bebedeiras voluntárias, alibi para reprovações em várias cadeiras que escusavam de repetir e pagar segunda/terceira vez), já que defendo que os que as podem pagar, devem pagá-las (e defendia o mesmo na altura e os meus pais pagavam-nas) e talvez por isso tenda a ser demasiado exigente com a argumentação nisto das causas...
Note-se que não me privava das tascas, nem das borgas bem regadas, mas só paguei uma propina duas vezes, a da cadeira de estatística e porque optei por ver o ciclo "Azul, Branco e Vermelho" do Kieslowski, que o Cineclube passava na mesma semana do exame, no extinto Cinecentro da Covilhã (desculpa esfarrapada, já que se não deixsse o estudo para a véspera, o exame não seria incompatível com o cinema)! Não me livrei do sermão (justificadíssimo) porque os mesmos pais que me pagaram as propinas me ensinaram que a responsabilidade não era uma opção, era a única via, se queria continuar a ser patrocinada!

Por outro lado, é bem certo que bem nos podemos queixar dos político e da política e da falta de justiça nestas medidas que pedem sacrifícios a uns para pagar a crise e atribuem privilégios a outros (muitos dos responsáveis pelo fosso em que estamos)...

Quem sabe, talvez se desperte a consciência política dos jovens assim, mesmo que de forma tosca...
Quem sabe, talvez a estrutura trema mesmo e isso ajude a separar o trigo do joio...

jueves, 10 de marzo de 2011

A mulher portuguesa que retrata a mulher portuguesa

Tive uma cadeira anual de História no meu curso e um dos trabalhos era sobre uma figura marcante da História. Escolhi a Vieira da Silva, cujo trabalho adoro, e porque foi a nossa representante num período riquíssimo para a pintura.
Na mesma linha, hoje poderia escolher Paula Rego... Isto dos "100 mais" vale o que vale, mas a senhora foi incluída nas 100 mulheres mais influentes no domínio da cultura.
Pergunto-me se as serigrafias da Paula Rego que comprei a 7,50€ já valorizaram?

miércoles, 2 de marzo de 2011

Entender África

Barcos estrangeiros andaram durante anos a pescar desalmadamente nas águas da Somália, país onde o (des)Governo não conseguiu impedir que isso acontecesse, negligenciando a protecção da actividade piscatória, garante de sobrevivência de muitos somalis.
A pirataria surgiu, incialmente, como tentativa de impedir esse saque ao peixe somali, o que não os desculpa, mas permite perceber que essa culpa deve ser partilhada com os países saqueadores!
Isto, de acordo com um documentário que passou na passada sexta-feira na RTP 2, que contava a história da pirataria na Somália...
Já lá vão seis anos de pirataria no Golfo de Adén e a coisa rapidamente se tornou num lucrativo negócio de extorquir dinheiro a partir de sequestros. Ainda esta semana bombava a notícia de mais uma família dinamarquesa sequestrada. O valor exigido para os resgates é cada vez maior. A capacidade das autoridades ocidentais e somalis para controlarem a pirataria é cada vez menor... E na terça-feira foram pela primeira vez mortos reféns.

Somos historicamente péssimos a entender África...

martes, 1 de marzo de 2011

E que tal o Palácio de Cristal?

Já só imaginamos como podem ter sido os jardins Suspensos da Babilónia, o Farol de Alexandria ou o Colosso de Rodes!

Juan Garaizabal projecta o que poderiam ser os fantasmas de edifícios carismáticos que já não existem. Chama-lhe Memórias Urbanas. É isso que vai fazer este ano, por exemplo, em Madrid, projectando a silhueta de um antigo mercado...

Ao ler a notícia, lembrei-me logo do Palácio de Cristal, que nunca conheci além desta imagem a preto e branco, e cuja demolição nunca percebi...

Sugeri-lhe que o resuscitasse!

Timor

"Portugal foi sempre uma luzinha pequenina que se manteve acesa para nós."
Esta manhã, na TSF, Rui Marques, o catalizador da iniciativa Lusitânia Expresso (o navio missão "Paz em Timor", que em 1992 tentou chegar a Dili, chamando a atenção internacional para a causa timorense), sobre o que 10 anos depois escutava em Timor.

Timor para mim começou por ser um albúm de folhas de cartolina negra cheio de selos e de fotografias a preto e branco coladas, o albúm dos anos de tropa do meu pai. Nada ali lembrava guerra...

Depois?!... Depois é certo que temos do que nos envergonhar pela forma como deixamos Timor, mas temos mais do que nos orgulhar: da garra da sociedade civil portuguesa, de como se colocou ao lado de Timor e lutou pela liberdade do povo timorense.
Um exemplo bem inspirador do que também somos capazes!