viernes, 9 de diciembre de 2011

A estibordo

Estava no novo centro de investigação da fundação Champalimaud, a pensar que é isto que vêem os que chegam a Lisboa por mar, assim que ele se mistura com o rio.

"Voar mais alto"*




* Sim, Ana Paula, esta foto é para Ti, para te incentivar a descolar ;)




lunes, 5 de diciembre de 2011

E nem é bem pelo mérito de D. João IV...

Portugal é um Estado laico, certo?
Então, por que razão teremos que negociar com a Igreja a eliminação de determinados feriados?
Já ameaçadoramente mais fácil parece ser abolir os feriados que celebram a Independência (o facto de Portugal existir como nação) e a passagem de monarquia a República (que é como quem diz, o direito que o povo conquistou de eleger o seu máximo representante, destronando o poder herdado em sede de ADN, que a mim ainda me custa que a monarquia seja assim uma questão de 'pedigree', que ainda se discuta se uma mulher pode ser rainha - atente-se à alegada azáfama espanhola para gerar herdeiro macho -, e que nem por sombras nada disto seja confundido com exclusão e discriminação social!)...

E mesmo não me importando que a Ibéria fosse um só país (porque acredito que entre portugueses e espanhóis é mais o que une do que aquilo que separa, porque me gusta España, me gustam los españoles, porque até compreendo que, dada a proximidade de alcovas das famílias reais portuguesa e espanhola era difícil resistir à tentação de unir os dois reinos), sou respeitadora da História, daquilo que nos fez o que somos e dos dias em que alguém lutou para que Portugal fosse nação e venceu, por estratégia mais do que por força bruta. Bem sei que começar um país à custa de uma desavença entre mãe e filho não é lá muito dignificante, porém Aljubarrota (tanto pela alegada táctica do quadrado de Nuno Álvares Pereira, como pelo alegado talento da padeira com a pá) é motivo de orgulho e três séculos depois foi reinventada em moldes mais diplomáticos para travar um iberismo, que, na altura, se vivia a duas velocidades. Festejar isso com um feriado não me parece mal.

Por último, mesmo podendo fazer feriados quando quero e posso (regalia do recibo verde), sou completamente a favor dos feriados por decreto, não só, mas também por razões económicas, já que acredito piamente que na base da produtividade está a motivação e na base da motivação estão coisas como o descanso, regalia de quem faz pela vida.

Esta proposta da supressão de feriados está em linha com a da meia hora diária a mais de trabalho: meus senhores, quem trabalha por gosto, até trabalha mais sem que lhe peçam, já quem o faz por decreto?... Pelo menos são coerentes em matéria de estupidez.

viernes, 18 de noviembre de 2011

O fado do nosso património

Nesta porta mora talvez a casa onde o fado acontece de forma mais autêntica. (Obrigada Jaume por me falares da Mesa de Frades).




Diz-se que o restaurante, onde agora se escutam os poetas, as guitarras, as violas e os brindes a tudo isso, terá (quem sabe) escutado outrora as preces de uma certa Dona Rosa, alegada amante de D. José I. É que a porta que hoje se abre para o fado, abria antes para uma capela... E esta é a única porta que abre deste edifício quinhentista, o palácio da Dona Rosa... Decadente, esventrado (o gradeamento foi insuficiente para deter os caçadores de azulejos históricos)... Triste fado, o do património, em Lisboa.



Alfama é isto: FADO, Santos Populares e um património urbanistico fantástico, lamentavelmente, em decadência.


Para nossa sorte o FADO é imaterial e deverá a UNESCO considerá-lo, em breve, Património da Humanidade.

lunes, 14 de noviembre de 2011

"Paris em Lisboa"

Se as estações do ano fizessem testes psicotécnicos para saber para o que têm jeito, ao Outono daria certamente “artes”… já as outras não sei e não vou agora reflectir sobre isso.
Mas agradeço ao Outono por esse talento, por tornar crepitantes todos os passeios calcetados que levam à Gulbenkian, por pintá-los com as cores, que, misturadas, se tornam nas minhas preferidas... Como pode esta Natureza morta ter tanta vida?


E serve este projecto de prólogo para introduzir o tema "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa", a exposição que visitei na Gulbenkian... As naturezas-mortas de Cézanne, Renoir, Monet, Vieira da Silva, Amadeo de Souza Cardoso, Picasso, Braque, Dalí, Magritte, Matisse, Gaugin, … e o que mais me comove e mais me espevita: Van Gogh! Companhias raramente disponíveis a um sábado à tarde, em Lisboa. E eu tinha saudades deles, do que me fizeram sentir repetidas vezes, em Paris, em Madrid, em Barcelona, em Amsterdão, em Antuérpia, em Londres...

... Sobretudo aos franceses, invejei-os, por terem abarbatado tanto talento naquele período mágico dos “ismos”… Mas no dia em que passei pelos mesmos "ismos" na Gulbenkian, o que senti foi gratidão pelo Sr. Calouste (o outro ministério da cultura). Em primeiro lugar, porque me destruiu um preconceito: é que achava que não gostava especialmente de naturezas-mortas na pintura. Achei uma seca ter que pintar pêssegos nas aulas de pintura, mas foi da trabalheira que me deu representar a pele aveludada e de mil cores desses pêssegos que me lembrei quando os vi num dos quadros em exposição (já não me lembro de que pintor). E também quando descobri o minúsculo quadro com meia dúzia de maças, de Cézanne. O Cézanne que me deixou KO, quando o conheci melhor na exposição "De Cézanne a Picasso", no Museu d' Orsay, que reunia várias obras de pintores representados pelo visionário marchand Ambroise Vollard (alguém que gostaria de ter entrevistado para indagar sobre o seu talento maior, o de descobrir génios)...


Voltando à Gulbenkian, além de descobrir que os girassóis também posaram para Monet, de me dar conta (com a ajuda do professor Rui Mário e do Câmara Clara) que Van Gogh pode ter estado deprimido, mas é de alegria e de Vida que falam as suas pinceladas enérgicas, descobri também um pintor novo (para mim): o Juan Gris. O quadro acima foi um dos que mais gostei. Gostei do brinde, da sugestão de olhar para fora do nosso casulo, aceitar o convite do vento, sem perder de vista o cume,... um cume.

E tudo isto é desarmante, porque em vez de inspirar, a mim desencoraja: para quê pintar, se eles já atinjiram o céu? Como chegar Lá? Como chegar-lhes sequer aos calcanhares? ...porque para Lá chegar é preciso mais do que talento, tem que haver uma pulsão, uma Pulsão Maior.

lunes, 7 de noviembre de 2011

"Química"

LÁGRIMA DE PRETA
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão (Rómulo de Carvalho, que para este poema não precisou do curso de Ciências Físico-Químicas, que tinha, para nada).

Isto porque gosto especialmente do fácil que é entender o quão estúpido é qualquer sentimento racista através deste poema, que troca as voltas ao preconceito, com uma prova científica... e porque hoje, no 144º aniversário da química Marie Curie, no Sociedade Civil, se aludiu "à química que há entre nós"...

lunes, 24 de octubre de 2011

Sim, Sr. Ministro

Hoje ouvi na RTP alguém cujo nome não registei a dizer que o mau momento da economia portuguesa pode obrigar-nos a fazer antes, o que todos deverão, obrigatoriamente, fazer depois: poupar, no que gastamos no que consumimos e sobretudo na forma como consumimos, pouco saudável, pouco ecológica...

E por isso, no meio de medidas absurdas, como aumentar mais meia hora diária ao horário de trabalho (em vez de aumentar a produtividade gastando menos horas de trabalho, e consequentemente menos energia... E os custos de produção como ficam???), há medidas que saúdo e que só pecam por tardias:

Aumentar de 6% para 23% o IVA aos refrigerantes e às batatas fritas e de 13% para 23% aos enlatados! Além de não serem bens de primeira necessidade, são nocivos para a saúde!

Manter o IVA baixo para os produtos da terra e do mar locais, o que além de estimular a economia, poupa o ambiente, já que a distância percorrida por esses bens é menor do que a dos importados, logo gastam-se menos combustíveis e produzem-se menos danos ambientais.

viernes, 7 de octubre de 2011

Carta aberta ao Sr. Ulrich

A Joana tem pouco mais de um mês e é cliente do BPI e gostaria de continuar a sê-lo. O balcão de que a Joana é cliente não possui rampa de acesso a clientes com mobilidade reduzida, coisa em que os pais da Joana não repararam no dia em que abriram a conta. Mas repararam hoje, pelo que reclamaram por escrito. Em função da resposta, decidirão se a Joana e se eles próprios se manterão clientes do banco. Estão optimistas, já que há uns dias, a fachada do banco foi vandalizada com spray e no mesmo dia foi limpa. Certamente que o Sr. Ulrich não se preocupará apenas com a fachada e resolverá esta questão com celeridade, neste e noutros balcões com a mesma limitação.

JOANA

Impossível não escrever aqui o teu nome.
Impossível escrever mais do que o teu nome, sem que me pareçam banalidades, desajustadas relativamente ao que és e ao que significas para mim...

lunes, 15 de agosto de 2011

Coisas só aparentemente simples




Companheiro - Maria Eugênia
Vai amigo
Não há perigo que hoje possa assustar
Não se iluda
Que nada muda se você não mudar

Ponha alguma coisa na sacola
Não esqueça a viola
Mas esqueça o que puder
E cante que é bom viver..

Rasgue as coisas velhas da lembrança
Seja um pouco de criança
Faça tudo o que quiser
E cante que é bom viver...

viernes, 15 de julio de 2011

8 meses

É oficial: cederam-me lugar no autocarro.
Caso restasse alguma dúvida: emocionei-me com o gesto do senhor que me convidou a sentar.
Indomáveis hormonas!
O meu bem-haja aos meus óculos de sol!

jueves, 7 de julio de 2011

Alguém convide esta senhora para administrar a Justiça

Maria José Morgado, profissional que admiro, apontou ontem, uma vez mais, o dedo aos clubes por sacudirem a água do capote relativamente à violência praticada pelas claques de futebol que apoiam!
A notícia na SIC e também na TVI sucedeu às outras de desporto: o novo equipamento do FCP, que não sente falta de Villas Boas, o novo reforço do Sporting e o novo do Benfica! Alinhamento discutível, como de costume! Questionar os clubes sobre a tal negligência é que nada,!
Além de acusar os clubes, a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP) também não poupou a Liga, a Federação e a secretaria de Estado do Desporto. Todos coniventes com o "offshore judicial" que absolve os efeitos colaterais negativos do futebol português.
Na mesma conferência "Estádios de sítio", promovida pela PSP, também se falou do bom exemplo de combate à violência nos estádios no Reino Unido. A receita: menos show off policial e mais acção judicial! Os malfeitores são impedidos de voltar a entrar num estádio!
Se eles conseguem...

O anjo da guarda...

Eu creio também neste anjo, que por vezes nos planta à frente dos olhos e dos ouvidos exactamente o que precisamos, a pista gostosa para acrescentar valor a um texto, a dica para um novo artigo, o momento em que o destino nos parece um amigo: Ele existe Fernando Alves.

martes, 5 de julio de 2011

Passos em falso

Quando a pessoa que mais admiramos nos diz que "Portugal não tem espaço para pessoas como ele" fica tudo muito claro sobre a merda de país que autorizámos nos últimos anos, sobretudo porque não encontramos grandes argumentos para refutar a tirada!

Quando o provável candidato a primeiro-ministro anunciava no último Natal que não ia dar presentes aos filhos, ou que só iria presentear a filha mais nova, ficou tudo muito claro sobre a ingénua ideia que ele tem sobre o seu eleitorado. Acreditou de verdade que nós engolimos esse "simbólico gesto" anunciado? E fica também muito claro que ele não tem nem ideia por onde começar quando toca a reduzir custos, pelo que opta imediatamente pela medida menos criativa e ataca a coisa pelo lado da receita: aumentar o IVA!
Não percebo o suficiente de economia, mas ainda gostava que me explicassem com números se um aumento do IVA é obrigatoriamente equivalente a um aumento da receita? Isto é, não pode o aumento do IVA levar a uma tal contracção do consumo, que, no final das contas, o imposto arrecadado seja menor? Tenho para mim que com as dificuldades de liquidez das empresas, o número de desempregados a aumentar, o encarecimento dos bens, ... o poder de compra diminui, mas pode ser que mesmo assim valha a pena flagelar mais uns quantos e aumentar o IVA!

"Metade de um ordenado (depois de descontado o equivalente ao ordenado mínimo) directamente para o Estado" também é governar com os pés. Então e se o corte fosse proporcional ao ordenado, acima de um determinado escalão, é que me parece óbvio que metade de 4000 não é igual a metade de mil . Mais uma vez, o actual Governo optou pela via mais preguiçosa (fazem-se menos contas), que por sinal também é profundamente injusta e potencialmente germinadora de problemas sociais. Problemas sociais que catalizam a revolta, que cataliza a violência, que não cataliza nada de construtivo, pelo que continuaremos a marcar passo!

E a piscadela de olho ao povo com a extinção do cargo de Governador Civil? Pois, só falta explicar (e nestas coisas explicar é importante) onde vai ele enfiar os detentores desse tacho e respectiva brigada de assistentes e de secretárias? É que não me parece que os vá deixar a peregrinar de 15 em 15 dias para o centro de emprego ou para a junta de freguesia da sua área de residência... Mas diminuir o peso da burocracia e da função pública nas contas do Estado parece-me bem. Resta só esperar pelas contas...

O melhor argumento a favor de Passos era que ele ainda não tinha cadastro político: nada de bom, nada de mau, nada. Quanto a mim arranca o "sobe e desce" com valores negativos!

lunes, 27 de junio de 2011

A lição

Ora, o Villas Boas foi para o Chelsea e fez ele muito bem. O portista capaz de recusar uma oferta equiparável à dele que atire a primeira pedra!

Agora só tem que provar que é mesmo bom, ao ponto de fazer funcionar a nova engrenagem em que se instalou. Basicamente é o que faz Mourinho: adapta a engrenagem a si e por isso funciona. (Como se pode ler aqui) O basicamente aqui é profundamente enganador!

Mas o que quero eu sublinhar (com vários dias de atraso) é a lição de gestão que deu Jorge Nuno Pinto da Costa: passou menos de um dia sobre a anúncio oficial da saída de Villas Boas e já estava o presidente do FCP a apresentar o substituto, travando especulações, polémicas, lamentos, instabilidade. Provou estar capaz de antecipar cenários que só eram prováveis até se concretizarem, mas em que muitos ingénuos não acreditavam e com isso controlou a comunicação, que é ferramenta fundamental na gestão. Touché!

Mas não é isso que importa! O que importa é que a concorrência continue a atribuir aos árbitros o mérito do FCP! Assim é que deve continuar a ser: iludidinhos e incapazes de se auto-criticarem!

martes, 21 de junio de 2011

Alegria

Paralela a Santa Catarina, fica a Rua da Alegria. E é mesmo uma alegria reencontrar estes prédios e ver que entretanto foram renovados e que estão habitados.

A Rua que desce e depois sobe

... a rua de Santa Catarina, no Porto.

A capela das Almas, do século XVIII, revestida com azulejos, que representam cenas da vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina e que foram feitos na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, já no século XX.
O velho, quando tem o tratamento que merece.

Detalhes como este, que se permitem, porque a aquitectura não tem culpa da simbolgia clubística :)




O tal Majestic, onde o café é servido em chávenas de porcelana e tem direito a dois pires... o café onde todas as paredes são espelhos e onde a ferrugem fica bem aos espelhos, medalhando o tempo...


E o eléctrico castanho, que voltou à rua, cruzando-a pela Passos Manuel.


Que rua, esta!

Gosto de galos de Barcelos

... e gosto da olaria de Barcelos, em geral. E gosto dos galos com a pintura tradicional, como o que comprei na feira de Caminha no mesmo dia em que comprei mais alguns em bruto, prontinhos a decorar a gosto. Foi o que fiz, muitos meses depois de os comprar, para os transformar em presentes de Natal para pessoas especiais.

Almirante Reis, a tal que foi despromovida do "Monopólio"

Há um mundo de histórias na Avenida Almirante Reis, em Lisboa! Como esta, que me fez lembrar de um slogan fantástico, que li à porta de um cabeleireiro em Luanda: "Entra feio, sai bonito"!
Na altura, falhou o facto de não ter câmara fotográfica comigo, mas não me esquecerei nunca! Mais directo, impossível!

miércoles, 8 de junio de 2011

Centenários

Há uns tempos, fiz de cicerone de uns amigos alemães de passagem por Lisboa: levei-os a pé pelo meu vizinho bairro do Intendente, passei no largo, onde babaram com os azulejos do prédio da Viúva Lamego, com os detalhes caprichados na pedra a debruar portas e janelas e com os desenhos do ferro de algumas varandas... E na verdade tudo aquilo é lindo... Porém, sujo e degradado, muitas vezes abandonado... Mas eles acham muito charmoso o ar dantesco da cidade à noite, as ruínas, apreciavam mesmo o facto de a cidade não estar lá muito organizada e cuidada, sentiam uma certa "alma" naquilo tudo! Na semana passada, na aula de alemão, a coisa repetiu-se... Tínhamos que acabar a frase "Lisboa é uma cidade encantadora, apesar de..." e eu conclui: "apesar de estar muito degradada!"
A coisa passou a tema de conversa e uma vez mais escutei a minha professora alemã, a elogiar o ar antigo e negligenciado da cidade!
Acho que os entendo, ou que entendo o que querem dizer! Quando olho para a Ribeira do Porto, vista de Gaia, tudo aquilo me parece um cenário de encantar, assim, à distância que o Douro, no meio, nos permite, filtrando o que se vê quando nos aproximamos de muitos dos edifícios que constroem aquela cascata, o que se cheira (e, no caso da Ribeira, a coisa melhorou bastante nos últimos tempos).

Em Lisboa, alguém se lembrou de chamar a atenção para o prédios centenários, potencialmente majestosos, abandonados, através de grafites!

Quase nunca considero os grafites que por aí andam arte, mas no caso, aplaudo! Mantêm o desejável sentido do efémero (se desaparecerem é porque o prédio será recuperado!) e sinalizam o que de outra forma parece passar completamente despercebido à maioria dos lisboetas!



Aqui, na minha rotunda preferida de Lisboa, Neptuno volta as costas à demolição de um prédio que durante meses namorei, com o sonho de o reabilitar! No dia da demolição, escutei na TSF, que por lá habitou Pessoa! Não apenas por isso, mas pela beleza da fachada arredondada, pelo menos ela merecia ter sido preservada! Agora está a nu um mosaico em tons pastel... E até lhe acho graça e especulo sobre qual seria a cor que conhecera Pessoa, se é que é do seu tempo a pintura que agora vemos... A mesma graça que acharão os alemães à Lisboa enrugada, envelhecida...

lunes, 30 de mayo de 2011

Alemanha, a inspiradora!

A Alemanha anunciou que vai prescindir da energia nuclear atómica a partir de 2022, o que, por outras palavras, significa que vai arranjar maneira de substituir a potência dos 17 reactores que vai desactivar! Que é como quem diz, investir em alternativas... em 10 anos!
É que a Alemanha, país bem menos soalheiro do que Portugal, começou mais cedo e com mais pujança a investir na energia solar (por exemplo)! O sol pode ser mais tímido por lá, mas aquece-lhes as casinhas, em vez do recurso à energia eléctrica!
E quem diz solar, diz várias outras alternativas!
Se eles conseguem e eu acredito que conseguirão...
Bem sei, que nisto acelerámos o passo nos últimos anos! Ainda bem, mas podemos e devemos ambicionar mais, que não nos falta sol, vento, mar, florestas a precisarem de serem limpas, a bem delas e da biomassa como fonte de energia...

Chumbo a retórica!

É verdade que metade do que é um político reside na sua capacidade de se expressar, nas suas ideias, promessas do que deverá ser a sua acção! E depois também é verdade que há gente que tem muito jeitinho para ordenar as ideias e até as tem com nexo, mas depois, na hora de meter a mão na massa, trai todo aquele que chegou a ser o seu futuro promissor! E também há os que são uma nulidade a retórica, mas muito eficientes na prática! Deveriam ser os nossos preferidos, mas como adivinhá-los?!

E depois há gente que a seu favor tem o "ele ainda não fez nada", o que na política viciada de cromos repetidos por cá vigente significa "ele ainda não fez merda!", já que não tem no seu CV referências enquanto dirigente político!
O CV político "zerado" era a vantagem de Pedro Passos Coelho, era essa a margem que potencialmente galvanizava a esperança em alguns eleitores e não é que o senhor está a conseguir fazer o mais difícil que é começar a corrida em marcha-a-trás!

Aquela piscadela tosca ao eleitorado mais conservador com o se calhar ainda faremos mais um referendo ao aborto, porquê?

Sócrates e Portas têm ali um inesperado aliado!

A teoria do oito

Justamente quando me preparo para fazer um trabalho sobre pedra, apanho um documentário na RTP 2 sobre o escultor português Carlos Bunga, mais concretamente sobre a sua passagem pela Bienal de Carrara, que é a Vila Viçosa/Estremoz de Itália e foi de onde o Miguel Ângelo sacou o bloco de mármore, que transformou no gigante David (sim, imagine-se como seria Golias!), a única estátua por quem eu aceitei estar numa longa fila! (Mas depois valeu a pena e a melhor forma de explicar que valeu a pena é dizer que não sei como fazê-lo: fica-se ali, a babar, embasbacadamente, a pensar que o divino é aquilo que se está a sentir!)

Isto tudo porque "visitar" Carrara antes de fazer o trabalho sobre pedra é daqueles "ovos Kinder" do acaso, que me deixam sentir que a vida volta e meia me pisca o olho!

martes, 24 de mayo de 2011

Teoria da relatividade à dragão!

Muitos dragões e adeptos dos dragões indignam-se por não serem recebidos pela Câmara Municipal do Porto!
Curiosamente, não pareceram importar-se tanto quando, na semana passada, deixaram milhares de adeptos a babar à espera de ver os jogadores do FCP na varanda do estádio. Nada, niente, nem sequer as luzes acesas! E o povo estava lá, esperou lá por eles, mas como os títulos saciam perdoamos tudo.

E Biba o Porto! E Biba o FCP!

jueves, 19 de mayo de 2011

TU

A elasticidade da dignidade de cada um determina a quantidade de sapos que consegue engolir.
Admiro-te por não desceres a fasquia da tua. Admiro-te por não te acomodares, por não te resignares e por acreditares em ti a esse ponto.
Poderia só te amar, mas também te admiro.

miércoles, 18 de mayo de 2011

Vale o que vale! E vale muito!

Dois clubes portugueses, orientados por dois treinadores portugueses, jovens, educados, com jogadores, cujos salários estão algo distantes dos que auferem os colossos do futebol mundial, jogam uma final europeia!

Isto é trabalho do bom! E mérito!
E pouco interessa se ganha o meu Porto ou o Braga do meu avô... Portugal já ganhou e o desportivismo também porque tem sido bonito ver a convivência de adeptos de ambos os clubes! O futebol faz-se festa, quando é apenas desporto!

lunes, 16 de mayo de 2011

Inocente até prova em contrário?

Uma senhora francesa, cujo nome e cargo não retive, dizia que gostaria de viver num país onde a lei da presunção da inocência contasse para alguma coisa e impedisse que fossem publicadas imagens de um suspeito a ser algemado, o que é "humilhante" e ela não disse, mas eu acrescento, potencialmente injusto!

É o tal poder corrosivo da suspeita de que ninguém está livre e a que ninguém é imune!

O Senhor Strauss Kahn pode ser culpado, mas pode não ser. Se não for, quem lhe faz justiça? Não parece interessar à justiça, nem aos juristas esta questão.

Em França e em Bruxelas especula-se sobre um diferendo Europa América, que coloca em xeque a "generosidade" do FMI, personificada neste seu director, para com os quase falidos Portugal, Irlanda e Grécia! É o outro lado da suspeita, o que defende a teoria da conspiração, que ressuscita a rivalidade antiga entre Banco Mundial e FMI, entre o american way e a velha Europa!

O dever de fazer e o de não dever

Factos: De acordo com o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2009 , a câmara de Lisboa continua a ser a mais endividada do país, Vila Nova de Gaia é a segunda da lista, Aveiro a terceira e Porto a quarta. Nestas coisas, o tamanho (do município) conta, pelo que estes nomes não aparecem só por má gestão, até porque o Porto lidera a tabela de eficiência financeira, seguido de Vila Franca de Xira, Almada, Oeiras, Amadora, Braga, Matosinhos, Sintra, Vila Nova de Famalicão e Setúbal.


Estas tabelas, quanto a mim, deveriam pesar mais de cada vez que há eleições autárquicas, mas estranhamente, quase ninguém fala nelas... Como se gerir as contas, dosear a relação entre o dever de fazer e o de não dever dinheiro, não fosse prioridade de quem governa!

Lá está, Rui Rio não se poderá recandidatar à CMP outra vez e, por ventura, mais algum destes autarcas que privilegiam a eficiência, mas merecem ser seguidos e considerados para outras funções (e como o PSD e o país precisam de Rio...) Excepção feita ao autarca de Oeiras, que eu tenho dificuldade em aplaudir condenados por fraude fiscal.

martes, 3 de mayo de 2011

Justo?

A pergunta que me faço para testar as minhas próprias teorias contra a pena de morte é: E se me tivesse morrido alguém nas torres gémeas? E se me tivesse morrido alguém na Atocha? E se me tivesse morrido alguém em King's Cross? ...

... e a coisa torna-se logo mais relativa! E logo me apetece apontar o polegar para baixo e dizer: Bin, já foste!

Agora, se isto resolve a questão do terrorismo? Não me parece, mas dá pistas sobre vias alternativas de chegar às "sete virgens"... Não é que o inimigo às vezes oferece o bilhete de ida!

Contra o cinema empipocado marchar, marchar!

Já aqui escrevi (ou devo ter escrito) que foi no Cinecentro da Covilhã que vi mais cinema. "Cinema de autor", graças à programação do Cineclube da Covilhã.
Agora, em Lisboa, sou menos assídua, mas ainda assim frequentadora do king, do Monumental, do Nimas, do City de Alvalade e do Saldanha Residence.
Além da programação ser melhor, o ambiente também é mais apetecível, pelo sossego, pela ausência de pipocas (à excepção do City)...
Precisamente o sossego, o demasiado sossego, ditou o encerramento das salas do Residence, ou melhor o fim com a assinatura da Medeia. Menos um espaço a lutar contra a corrente. Mais uma vitória do cinema empipocado!


No Facebook, a Medeia justificava assim: "A obrigatoriedade de investimento na digitalização, somada aos contratempos inerentes à concorrência dos grandes grupos de exibição, com a oferta desmedida de bilhetes de cinema, encaminhou-nos para esta decisão. Este desequilíbrio é pautado ainda pela falta de actuação da Autoridade da Concorrência bem como do próprio Instituto do Cinema e do Audiovisual."

viernes, 29 de abril de 2011

Pistas para que saibas escolher!

Eu nunca me dei bem com a Sociologia, como ciência, com essa coisa de estudar comportamentos em carneirada...
E talvez por isso me custe tanto a entender o fenómeno sociológico a que se chama de benfiquismo!
Não entendo a histeria mediática em torno do Benfica, as sempre renovadas expectativas ancoradas no "este ano é que é", o número de adeptos que o clube ainda consegue fidelizar (por ventura herdeiros do malfadado sebastianismo português, transmitido de avôs para netos, já que só um iato geracional autoriza perpetuar esse tempo em que "glorioso" não era um eufemismo retro e em que o bicharoco esvoaçante corava de orgulho e não de vergonha por se chamar "Vitória"!)...
Sobretudo o que não entendo agora é esta onda de contestação ao trabalho de Jesus, já que ele tem toda a razão quando insinua que o Benfica há muito que não estava tão bem! O treinador recorda, com legitimidade, que dos seis troféus ganhos pela equipa (e desta vez não estamos a falar de matrecos!) nos últimos 17 anos, três foram com ele! Ora, ganhar três troféus em duas épocas é coisa a que os benfiquistas já não estavam habituados! E ainda estão na corrida por um troféu europeu (que o FCP não o permita!), coisa que já não acontecia desde a final em que além de perderem as botas, também perderam o jogo para o PSV, no distante 1988... Enfim, é um injustiçado o Jesus!

Bom, bom, é o Radamel Falcão!
Sim porque para calar os retorcidos, há que vencer assim, por muitos! Os jogos e os campeonatos! Temos sempre que vencer por muitos pontos de avanço, para que não venham com a desculpa de que foi o árbitro comprado e tal... E ultimamente é a isso que estamos habituados: a vencer por muitos!

jueves, 28 de abril de 2011

A poesia está na rua!


Ah pois está: e se "não há machado que corte a raíz ao pensamento", há serrote que prive um país de acesso à Internet!

Assim foi na Geórgia, onde uma senhora, que diz jamais ter ouvido falar da web, está a ser processada por ter cortado um cabo de fibra óptica...
Frágil o império webiano!

lunes, 18 de abril de 2011

Muitos funerais e vários casamentos

"Fica a cinco minutos do centro do Cairo e é perfeitamente visitável por quem quiser", garantiu-me o assitente egípcio de Sérgio Tréfaut, numa conversa informal com o público no final da apresentação de "Cidade dos Mortos" e "Waiting for paradise", respectivamente, um documentário sobre o mega cemitério do Cairo, que se transformou em morada para muitos dos cairenses, com o êxodo rural iniciado na década de 60, e uma curta-metragem sobre os casamentos que os novos moradores vão fazendo, "quase semanalmente".
Ao Sérgio, o que o motivou a realizar o documentário foi "a relação leve que estes cidadãos do Cairo têm com a morte", com quem vivem. Vivem nas casas funerárias, visitadas pelas famílias dos mortos à sexta-feira, o mesmo dia em que se faz nas ruas do cemitério a maior feira da cidade...

Eu não achava, até ir a Paris, que os cemitérios pudessem valer uma visita. Vi algumas esculturas belíssimas nos cemitérios de Paris. Acho que vou seguir o conselho do jovem assitente de realização egipcio, cujo nome gostava de me recordar, e quando for ao Cairo, não falharei este cemitério tão vivo.

martes, 12 de abril de 2011

La Farruca, em Lisboa, sábado

Aqui há uns anos fui a Sevilha e em Sevilha fui a Triana e em Triana descobri um bar, onde se anunciava para a mesma noite um espectáculo de flamenco. Um bar de barra longa, bem povoada, e com um canto que se tranformaria em palco, onde uma cigana e um cigano dançaram com a alma, com os olhos em fogo, à frente dos músicos e dos cantantes, à nossa frente. Foi nessa noite que entendi o flamenco. Na vida de ninguém há acasos. Deixam de o ser assim que os autorizamos como vectores. Foi o que fiz com o flamenco.

lunes, 4 de abril de 2011

Pooooooooooooooooooooooooooooooortooooooooooooooooooooooo!

Não mancha a vitória no jogo, nem no campeonato! O FCP é a melhor equipa do país porque é a mais bem gerida, a mais profissional e isso reflecte-se nos resultados... No futebol, como no andebol, no basquetebol e no hóquei em patins, onde também lidera... Ninguém reinventa a pólvora... As tricas, os truques, a irresponsabilidade dos dirigentes (do FCP também) sempre que atiçam as mentes doentes de alguns adeptos não deveriam ficar impunes.
Ontem poderia ter acontecido uma desgraça quando alguém se lembrou de desligar a luz e accionar o sistema de rega! Será uma desgraça mais dia menos dia se não se punirem os culpados! E daqui a 15 dias há novo encontro...
Eu gosto de futebol, mas ontem senti tanta raiva (de alguns adeptos dos dois clubes, dos "jornalistas", do tratamento jornalístico, da fraqueza do sistema policial) ao ver as notícias antes do jogo começar, que não me apeteceu sequer ouvir o relato...

viernes, 1 de abril de 2011

A grande mentira

Elegi o Dadaísmo para tema de um trabalho sobre movimentos artísticos para a cadeira de História da Arte. Não era o meu preferido, mas era o que mais me intrigava... Parecia-me que havia ali qualquer coisa de traição à arte, qualquer coisa de mentira... até que me convenci de que tudo aquilo estava suspenso pelo fio, só aparentemente frágil, da imaginação. Como excluir a ideia do produto final? Como retirar-lhe peso naquilo a que chamamos de arte? No dia das mentiras, elejo esta verdade: a pintura não morreu, contrariando a profecia, contada em várias versões, que anunciava o fim da pintura! E potenciais assassinos não lhe faltariam, de acordo com as profecias: a fotografia, os delírios mais ou menos escatológicos dos dadaístas, a alegada urina de Pollock ou o lixo que substituiu as tintas na tela, o robot-pintor do português Leonel Moura, ...

miércoles, 30 de marzo de 2011

Intercomunicador

"Bom dia, eu sou a Ana Cristina e estou aqui com a minha amiga a espalhar uma mensagem de esperança. Gostaria de lhe perguntar se acha possível que um dia venhamos a viver num paraíso aqui na Terra?"

Poderia só ignorar a Ana Cristina, mas fiquei a cismar que raio de processo permite atingir este estado? Como alguém está disposto a elaborar sobre as possibilidades e impossibilidades do devir, assim, sem preliminares, às 10h da manhã?

lunes, 28 de marzo de 2011

"Oliver e Benji", by Paulo Futre


Não é por causa dos lindos olhos verdes dele, nem por ter sido um competente dragão, mas eu acho que as sugestões de Paulo Futre deveriam ser dignas de reflexão mais do que de chacota! A forma não foi a mais eficaz, mas a mensagem de que o Sporting deveria contratar um bom jogador chinês e assim atrair adeptos e consequentemente receitas made in China ou by chineses não é disparatada! É só ingénua e deselegante: escusavas de escancarar que pretendias usar o chinês como isco!
Ainda há dias ouvia falar da legião de jornalistas japoneses que seguem Yuto Nagatomo para todo o lado desde que ele se transferiu para o Inter. Quanto é que o Inter ganha com isso? Publicidade gratuita ao clube no Japão e certamente muitos bilhetes dos jogos do clube vendidos a japoneses e merchandising ando so on... O Barcelona e o Real Madrid há anos que andam a piscar o olho à Asia e, ao que dizem, com sucesso: há anos que se vendem bilhetes a turistas dipostos a pagar para ver as estrelas no Camp Nou e no Santiago Bernabéu! E os catalães têm angariado sócios, imagine-se, no Japão! O que isso não fará pelas receitas publicitárias e de merchandising do clube... E não é que a revista de Manga e série televisiva "Olivier e Benji" também ajudou o Barça a facturar...
Futre, eles não sabem nem sonham! Pérolas a porcos!

martes, 22 de marzo de 2011

ARTUR

Qualquer coisa como "a variedade é o prazer da vida", disse Artur Agostinho, numa entrevista hoje recordada na TSF, feita por Carlos Vaz Marques. Citava um lema dos ingleses por altura da segunda guerra mundial, quando as coisas azedavam. Acho que era isto.

O que me interessa é que concordo. E como. Mesmo quando esta paixão pela variedade me impede de investir no aperfeiçoamento, na especialização e impede, muitas vezes. A especialização que sem dúvida beneficiaria o todo mais do que a mim e nestas coisas, manda mais o tal hedonismo que me move. Ou egoísmo, talvez.

Admiro sempre quem tirou partido da vida, como Artur Agostinho.

lunes, 21 de marzo de 2011

Japoneses

Eram de Tóquio e comiam a menos de um metro de nós. As mesas daquele restaurante do bairro da Ópera, em Paris, quase que se colavam, mas a privacidade ali era garantida à priori, pela proveniência de cada um. Assim, tornava-se pouco provável que se juntassem portugueses em duas mesas contíguas.
A primeira imagem que tenho deles é que jamais davam tréguas ao sorriso, sempre que nos dirigiam o olhar. A certa altura, pedimos champanhe para nós e decidimos que fazia sentido partilhar o brinde. Brindamos os quatro. Demorámos algum tempo a perceber que "animun" era uma pergunta que significava "estais também em Lua de Mel?" Paris era a primeira étapa da deles. Seguiam para o Dubai depois...
Trocámos endereços de e-mail para trocar fotos e prolongar o encontro. Não aconteceu. Guardei os deles algures no caderninho de viagem na mesma caixinha dos bilhetes dos museus, das contas dos cafés e dos restaurantes (que eram muitas vezes as duas coisas, que as rendas são caras e há que rentabilizar os espaços) das revistas e jornais por lá comprados... Ontem lembrei-me deles, apeteceu-me saber deles, que são o mais perto que conheci dos japoneses...

Lembro-me agora que conheci outros dois numa viagem a Burgos... I wonder...

martes, 15 de marzo de 2011

Mind the gap!

A propósito destes jovens desnorteados, fiquei a pensar numa entrevista que o Gonçalo Cadilhe deu à Inês Menezes, na Radar. A certa altura ele lembrava que nos países de cultura anglo-saxónica, se não tens uns meses de experiência a viajar pelo mundo, no CV, és olhado de lado... Tipo, mas este gajo, não fez mais nada na vida? Só estudou!
Terminados os estudos, é normal e valorizado o chamado GAP year para viajar! Claro que a viagem pode e deve ser financiada por trabalhos casuais por esse mundo fora: vindimas, servir em restaurantes...
Tudo isto me soa melhor do que o côro de lamentações ocas de maturidade que tenho escutado!

Tenho para mim, que a altura melhor para o fazer é mesmo depois de obtido o canudo e se há coisa de que me arrependo foi de não prolongar a minha estadia de dois meses em Antuérpia (uma espécie de Erasmus, mas a trabalhar numa companhia de teatro), arranjar um trabalhinho por lá e de lá para o mundo!
Em vez de um interrail, deveria ter feito meia dúzia!
Um dia, quererei que as minhas crias criem asas e voem por esse mundo fora e espero que nesse dia o meu medo e/ou egoísmo não abafe aquilo em que acredito hoje!

viernes, 11 de marzo de 2011

Parvos, ma non troppo...

aqui escrevi sobre o barulho em torno da música dos Deolinda e do que chamam de "geração à rasca"... e a minha crença inicial era a de que se estava a fazer "tanto barulho para nada"...
Mas eu sou dada a mudar de ideias (não raras vezes) e hoje já me parece que talvez não seja bem assim... é que bem vistas as coisas, quão conscientes e informados estavam os manifestantes, os críticos, de cada vez que no passado se abanou o sistema?
É verdade que eu fiquei traumatizada com muitos dos protagonistas do "não pagamos" propinas (com quem convivia nas tascas onde jamais se recusavam a pagar as facturas das bebedeiras voluntárias, alibi para reprovações em várias cadeiras que escusavam de repetir e pagar segunda/terceira vez), já que defendo que os que as podem pagar, devem pagá-las (e defendia o mesmo na altura e os meus pais pagavam-nas) e talvez por isso tenda a ser demasiado exigente com a argumentação nisto das causas...
Note-se que não me privava das tascas, nem das borgas bem regadas, mas só paguei uma propina duas vezes, a da cadeira de estatística e porque optei por ver o ciclo "Azul, Branco e Vermelho" do Kieslowski, que o Cineclube passava na mesma semana do exame, no extinto Cinecentro da Covilhã (desculpa esfarrapada, já que se não deixsse o estudo para a véspera, o exame não seria incompatível com o cinema)! Não me livrei do sermão (justificadíssimo) porque os mesmos pais que me pagaram as propinas me ensinaram que a responsabilidade não era uma opção, era a única via, se queria continuar a ser patrocinada!

Por outro lado, é bem certo que bem nos podemos queixar dos político e da política e da falta de justiça nestas medidas que pedem sacrifícios a uns para pagar a crise e atribuem privilégios a outros (muitos dos responsáveis pelo fosso em que estamos)...

Quem sabe, talvez se desperte a consciência política dos jovens assim, mesmo que de forma tosca...
Quem sabe, talvez a estrutura trema mesmo e isso ajude a separar o trigo do joio...

jueves, 10 de marzo de 2011

A mulher portuguesa que retrata a mulher portuguesa

Tive uma cadeira anual de História no meu curso e um dos trabalhos era sobre uma figura marcante da História. Escolhi a Vieira da Silva, cujo trabalho adoro, e porque foi a nossa representante num período riquíssimo para a pintura.
Na mesma linha, hoje poderia escolher Paula Rego... Isto dos "100 mais" vale o que vale, mas a senhora foi incluída nas 100 mulheres mais influentes no domínio da cultura.
Pergunto-me se as serigrafias da Paula Rego que comprei a 7,50€ já valorizaram?

miércoles, 2 de marzo de 2011

Entender África

Barcos estrangeiros andaram durante anos a pescar desalmadamente nas águas da Somália, país onde o (des)Governo não conseguiu impedir que isso acontecesse, negligenciando a protecção da actividade piscatória, garante de sobrevivência de muitos somalis.
A pirataria surgiu, incialmente, como tentativa de impedir esse saque ao peixe somali, o que não os desculpa, mas permite perceber que essa culpa deve ser partilhada com os países saqueadores!
Isto, de acordo com um documentário que passou na passada sexta-feira na RTP 2, que contava a história da pirataria na Somália...
Já lá vão seis anos de pirataria no Golfo de Adén e a coisa rapidamente se tornou num lucrativo negócio de extorquir dinheiro a partir de sequestros. Ainda esta semana bombava a notícia de mais uma família dinamarquesa sequestrada. O valor exigido para os resgates é cada vez maior. A capacidade das autoridades ocidentais e somalis para controlarem a pirataria é cada vez menor... E na terça-feira foram pela primeira vez mortos reféns.

Somos historicamente péssimos a entender África...

martes, 1 de marzo de 2011

E que tal o Palácio de Cristal?

Já só imaginamos como podem ter sido os jardins Suspensos da Babilónia, o Farol de Alexandria ou o Colosso de Rodes!

Juan Garaizabal projecta o que poderiam ser os fantasmas de edifícios carismáticos que já não existem. Chama-lhe Memórias Urbanas. É isso que vai fazer este ano, por exemplo, em Madrid, projectando a silhueta de um antigo mercado...

Ao ler a notícia, lembrei-me logo do Palácio de Cristal, que nunca conheci além desta imagem a preto e branco, e cuja demolição nunca percebi...

Sugeri-lhe que o resuscitasse!

Timor

"Portugal foi sempre uma luzinha pequenina que se manteve acesa para nós."
Esta manhã, na TSF, Rui Marques, o catalizador da iniciativa Lusitânia Expresso (o navio missão "Paz em Timor", que em 1992 tentou chegar a Dili, chamando a atenção internacional para a causa timorense), sobre o que 10 anos depois escutava em Timor.

Timor para mim começou por ser um albúm de folhas de cartolina negra cheio de selos e de fotografias a preto e branco coladas, o albúm dos anos de tropa do meu pai. Nada ali lembrava guerra...

Depois?!... Depois é certo que temos do que nos envergonhar pela forma como deixamos Timor, mas temos mais do que nos orgulhar: da garra da sociedade civil portuguesa, de como se colocou ao lado de Timor e lutou pela liberdade do povo timorense.
Um exemplo bem inspirador do que também somos capazes!

lunes, 28 de febrero de 2011

(Elogio a Colin I)


Agora apetece-me ir cozinhar, porque me relaxa! Acho que foi mais ou menos esta bisnagada de charme que mandou o Colin Firth, no momento em que recebeu o Oscar.
Como um sonsinho pode ser encantandor... Assim é Colin I, o comedido, que fez de Jorge VI, o gago!(Não resisti ao trocadilho piroso!) Como se lê no El País: "Aunque Firth sea de esos hombres que hace de los defectos virtud."
Não vi o filme e na verdade o Colin I é a única razão pela qual iria ou irei vê-lo...

A entrevista de Oriana Fallaci a Khaddafi

Há uns anos emprestaram-me o "Carta a um menino que não chegou a nascer", um livro que na altura gostei muito de ler. É da Oriana Fallaci, uma jornalista e escritora conotada com a esquerda italiana, no início da sua carreira, crítica de muitos aspectos (os criticáveis, digo eu) do mundo islâmico.

Gostei tanto do livro que comprei outro da mesma autora, durante a viagem de interrail pela Itália. Comprei-o na língua original, ainda não o li...

Vou lendo mais sobre ela do que coisas dela. Hoje esbarrei com esta entrevista da jornalista a Khaddafi. Uma republicação de parte de uma entrevista feita em 1979, altura em que o provável futuro ex-líder líbio fazia esta comparação:

"You do not understand the difference that exists between me and them, between Khomeini and them. Hitler and Mussolini exploited the support of the masses to rule the people. We revolutionaries enjoy the support of the masses to help the people become capable of ruling themselves on their own. I myself am constantly appealing to the masses to govern on their own. I say to my people: ‘If you love me, listen to me. And govern yourselves on your own’. That’s why they love me because, unlike Hitler, who said ‘I’ll do it all for you’, I say ‘Do it on your own’”.

And now, what?

martes, 22 de febrero de 2011

O menino que sobreviveu ao abutre e o fotógrafo que não sobreviveu à indiferença (a sua)

O medidor da nossa indiferença não é indiferente à frequência com que a realidade nos testa. E decidir em situação nem sempre é o mesmo que decidir em consciência.

Kevin Carter decidiu carregar no botão para contar a história do bebé desnutrido e do abutre espectante. A foto de 1993 (Sudão) foi publicada pelo The New York Times e ganhou o Pulitzer no ano a seguir. O fotógrafo suicidou-se.
O El Mundo foi resgatar esta história: o menino não chegou a servir de refeição ao abutre. Morreu quatro anos depois de febre.
Não pretendo defender o fotógrafo, que estas questões não me despertam julgamentos fáceis. O fotógrafo não salvou o menino, nem nenhum dos outros meninos que morrem à fome no Sudão e no resto do mundo, mas esteve lá e ter estado lá ajudou a combater a indiferença: a nossa. Ou talvez não... Porque dentro de segundos seguimos com a vida, a nossa vida a quilómetros do Sudão. E na mesma circunstância, o que faríamos?

lunes, 21 de febrero de 2011

Geração "à espera do comboio na paragem do autocarro" *

Eu comecei por não achar piada aos Deolinda, até que me gravaram o primeiro CD do grupo e mudei de ideias: letras bem humoradas, que induzem, que sugerem, que criticam e música agradável q.b..

Não vejo razão para endeusar nem para crucificar a banda, à pala do tema "Que parva que eu sou", que quanto a mim critica tanto a passividade dos jovens como o sistema que os adormeceu, pelo que para usarem a música como hino queixa, estes jovens têm que enfiar a carapuça primeiro...

Seja como for, dá-lhes jeito (aos Deolinda) toda esta histeria...

* verso de Sérgio Godinho, numa música, cujo nome não me lembro agora e estou com preguiça de googlar... Mas também poderia ser outro verso do Godinho: geração "descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo"...

Adenda: A música chama-se "Lá em baixo" e merece citação completa, porque quem de nós nunca "andou desencontrado como à espera do comboio na paragem do autocarro"?

Lá em baixo ainda anda gente
apesar de ser tão noite
há quem tema a madrugada
e no escuro se afoite
há quem durma tão cansado
nem um beijo os estremece
de manhã acordarão
para o que não lhes apetece
e há quem imite os lobos
embora imitando gente
há quem lute e ao lutar
veja o mundo a andar para a frente

E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro

Lá em baixo ainda anda gente
apesar de ser tão tarde
há quem cresça no escuro
e do dia se resguarde
há quem corra sem ter braços
para os braços que os aceitam
e seus braços juntos crescem
e entrelaçados se deitam
e a manhã traz outros braços
também juntos de outra forma
de quem luta e ao lutar
a si mesmo se transforma


E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro
Lá em baixo ainda há quem passe
e um sonho que anda à solta
vem bater à minha porta
diz a senha da revolta

vou plantá-lo e pô-lo ao sol
até que se recomponha
é um sonho que acordado
vale bem quem ele sonha
lá em baixo, até já disse
que é que tem a ver comigo
e no entanto sobressalto
se me batem ao postigo
E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro
Lá em baixo ainda anda gente
e uma cara desconhecida
vai abrindo no escuro
uma luz como uma ferida
como a luz que corre atrás
da corrida de um cometa
e vejo vales e valados
no sopé duma valeta
lá em baixo ainda anda gente
e uma cara conhecida
vai ateando noite fora
um incêndio na avenida
És tu Maria, eu sei, já sei, és tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro

miércoles, 16 de febrero de 2011

Sobreviver ao sonho

Demorei tempo a perceber, mais até do que a aceitar, que não se pode viver intensamente sempre. Aborreciam-me os intervalos, até aprender a apreciá-los. Sei que serei para sempre hedonista e que isso nem sequer é uma opção, mas tive a sorte (não se trata de talento) de saber procurar sempre novos prazeres, mesmo que seja em coisas que são de sempre.
Não gostaria de escrever sobre economia se me resignasse com o desalento de não poder escrever sempre sobre cultura. E essa foi a grande lição (há sempre uma que é maior que todas as outras) que já aprendi: não desistir nunca de descobrir prazeres, novos, renovados...
E não se pode viver sempre intensamente porque "de tanto bater o coração pára", tem que parar!
O "Black swan" recambiou-me para o processo que me permitiu ir entendendo que não duram mais que minutos aqueles momentos em que o coração dispara, e que há que apaziaguá-lo também.
Não que o filme trate realmente disso, mas desistir da dança foi a minha primeira ferida, a primeira derrota que enfrentei, a primeira vez que percebi que acreditar na reencarnação me daria muito jeito, porque nesta vida eu já tinha um sonho a que dizer adeus. E dizer adeus a um sonho é o contrário de viver intensamente.

O filme roda precisamente sobre o duro que é viver o sonho. Aceitar o desafio de o concretizar é na realidade bem mais difícil do que ter que prescindir dele, porque é mais fácil o prazer dos intervalos ainda que menos intenso.

E na verdade, este filme do Darren Aronofsky poderia chamar-se outra vez "Requiem for a dream". E foi do trabalho do realizador e do argumento que eu mais gostei.

martes, 15 de febrero de 2011

A foto

Na altura eu questionava-me sobre a ética desta capa da Time.

A foto da fotógrafa sul-africana Jodi Bieber venceu o World Press Photo 2010 e vai correr mundo em exposições. A história da jovem afegã Bibi Aisha, que agora está fisicamente recuperada, após várias cirurgias plásticas, vai correr mundo. E isso pode ser bom para todas as outras jovens.

lunes, 14 de febrero de 2011

Junquilhos senhores! Junquilhos!

Não me lembro em que aniversário me ofereceu a minha mãe pela primeira vez junquilhos! Mas o junquilho tornou-se a partir daí a minha flor preferida e foi provavelmente a primeira que alguma vez me ofereceram.

Agora é já uma tradição a que se aliou também a minha tia Alice! Recebo quase sempre junquilhos em dose dupla pelos anos!

Diz-se que é a primeira flor que desabrocha, a anunciar a proximidade da Primavera! Diz-se que lhe chamam também narciso, o símbolo da vaidade!




Nisto dos junquilhos, há uma sequência obrigatória: esta, que inclui a cena que começa no minuto 3, 30!

miércoles, 9 de febrero de 2011

Jornalistas!

...e mais coisas a oferecer aos jornalistas!


e se o amor fosse promovido a editor...

Gonçalo!

Chama-se assim esta cadeira. Mas eu já gostava dela antes de conhecer o nome com que a batizaram.
O meu pai resgatou-a algures (talvez no lixo de obras). Na verdade, resgatou duas. Estavam bastante enferrujadas, até que a minha mãe as pôs como novas.
Andava há que tempos para a fotografar, depois de a ter redescoberto no blogue do Luís Royal, por onde costumo andar a bisbilhotar sobre design. Fiquei a saber que a cadeira que costumamos ver em tantas esplanadas deste país foi criada em 1954 por Gonçalo Rodrigues dos Santos.
É linda e confortável, no contexto esplanada.

martes, 8 de febrero de 2011

Orgulho e preconceito!

"Acontece que os crimes de violência doméstica são o resultado desta pureza de sangue; casamentos que não se discutem, filhos a quem se permite tudo, mulheres trucidadas por famílias funcionais e por ideias disfuncionais, álcool a rodos (ai, a Direcção-Geral de Saúde!), falta de dinheiro, desemprego, emprego a mais, telenovelas, sangue na estrada, miséria no lar, mau sexo e maus hábitos, machismo mariola, machismo filho da puta transmitido de pais para filhos e de mães para filhos."

Francisco José Viegas, numa reflexão que merece ser acompanhada aqui.

Não sou leitora do Correio da Manhã e julgo-o sem verdadeiramente o ler, mas concordo que o dito "jornalismo de referência" há muito que não merece esse título porque se demite de cobrir muito do Portugal real. Se o Correio da Manhã o faz bem ou mal, isso é outra conversa, mas pelo menos, ao que consta, não deixa de o fazer.

Fui à horta


Há mais verdade agora no meu frigorífico e eu tenho mais certeza (melhor substituir por ambição) de que um dia me dedicarei a isto de ter um quintal com legumes e árvores de fruto de verdade. Apesar das desanimadoras experiências com as plantações de hortelã e de salsa na minha varanda...

jueves, 3 de febrero de 2011

Eu e o Johnny Depp sozinhos na mesma sala

Moral da história nº 1: ir ver um filme com o Johnny Depp nunca é perda de tempo.

Moral da história nº 2: revisitar Paris e Veneza, mesmo que seja só a duas dimensões, nunca é perda de tempo.

Assim sendo, "O turista" cumpriu muito bem a função de me entreter: o casting masculino rivaliza com o dos mais saudosos anúncios da Gillette, se excluirmos os "maus da fita", que também eram os feios da fita; os vestidos da Elisa eram todos muito ao meu gosto.

Não serei eu a dizer que o filme é mau, embora agradeça a todos os que o fizeram, já que contribuíram para o meu momento a sós com o Johnny.

Por enquanto é sem título

António Fernandes Pereira Marques e Adelaide de Oliveira Rocha. Fixaste?
É o que de mais antigo conheço genuinamente de ti.
Criaram-me. (Gosto do duplo sentido do verbo criar!)
Um bocadinho de ti vem deles e garanto-te desde já, que te podes orgulhar da Adelaide, que vendia peixe na Ribeira com a mãe e depois criou meninos e meninas como eu, e do António, que trabalhou quase toda a vida nos STCP. Depois de se reformar, dedicou-se à pastorícia: era o Sr. António das Ovelhas, que fazia parar o trânsito com o rebanho, pelas ruas de Leça do Balio. Por consequência nós, os familiares, não tínhamos direito a nome, éramos qualquer coisa como "a neta do Sr. António das Ovelhas"!

martes, 1 de febrero de 2011

A minha fronteira

Escreve-se aqui que Valença y Tui "vivieron siglos enfrentadas, pero en realidad (crê o autor) no sabrían vivir la una sin la otra".

A água do mar é por aqui particularmente fria e temperamental, mas é, ou talvez por isso também seja, o meu pedaço preferido da costa ibérica. Onde as montanhas aveludadas só se detêm perante a evidência do Atlântico, conseguimos senti-las a medir forças com ele. E não há como não amar as duas terras que "o Minho já não separa".
Há um Portugal de luxo ignorado por um "Turismo" distraído...

Sedutora, a ler...


Pode a leitura ser sensual? Pode, responde Picasso, ao retratar uma das suas amadas, a Marie-Therese Walter. É certo que a senhora não parece estar concentrada na leitura...
A pintura é de 1932, ano em que foi exibida ao público, para depois desaparecer até 1940. Nessa altura surge numa galeria, em Nova Iorque. Depois passa pelas mãos de vários coleccionadores privados, privando-nos a quase todos de lhe pôr a vista em cima... O actual dono decidou leiloar a obra, avaliada num confortável intervalo de 14 a 21 milhões de euros. O leilão é na Sotheby's, no próximo dia 8.
Decido avisar, caso algum desconhecido (os conhecidos quereriam, mas não poderiam) não saiba o que me oferecer pelos anos...
Mas também me contento se o Senhor Berardo a quiser partilhar no CCB.

miércoles, 19 de enero de 2011

Ai Portugal, Portugal

Eu não estava cá, mas não me parece que o país esteja pior do que há 40 anos, como alegam 46% dos 1002 inquiridos pelo Projecto Farol. Parece-me sim que devemos ler nas entrelinhas o desalento e o cansaço de um povo que não acredita em si nem nos seus líderes.

Eu voto há metade da minha vida e nunca, NUNCA marquei uma cruzinha crente de que "agora sim, com este/a é que a coisa vai para frente".
Nunca consegui ser de um partido e nem sequer eleger entre a esquerda e a direita (no contexto português) me é fácil. No alegado idealismo/socialismo da esquerda não vejo mais do que hipocrisia. No suposto pragmatismo da direita, sobra incompetência.
E fico sempre perturbada (desiludida, na verdade) de cada vez que vejo o incómodo de um/a amigo/a socialista quando alguém desdenha deste Governo e não é por não conseguirem encontrar motivos para tal, é mais porque lhes dói, porque preferem ver o ataque como um ataque ao partido, à ideologia em que acreditam, incapazes de perceber que foram traídos, tanto como ela. E o mesmo sucede com os laranjinhas quando o Governo é laranja. Constrangedor.

Estou cansada de optar pelo voto em branco, de não conseguir acreditar numa figura, numa estratégia, numa proposta.
Será assim mais uma vez no próximo domingo.
Ainda cheguei a inclinar-me para o Fernando Nobre, porque me parece que uma pessoa viajada, que sentiu o mundo, merece a minha confiança, mas depois, à medida que o senhor ia abrindo a boca, ia eu torcendo o nariz... E não. Não me convence.

Os outros candidatos não me merecem sequer comentários. Merecem todos o meu voto em branco.