viernes, 29 de septiembre de 2017

Três conselhos para o concelho

Eu tentei, juro que tentei (sim, sou eu a quinta das 4 Non Blondes, a renegada)!
Mas não consigo escolher um candidato para a Câmara de Lisboa.

Estive a ponto de ceder aos argumentos do João Ferreira, mas ele não me parece disposto a trocar de partido e eu não estou disposta a votar num partido tão "compreensivo" com os devaneios de líderes do passado, como Hugo Chávez, e  do presente, como Kim Jong (Quim João). 
Eu tentei, Oh Meu Deus, como tentei!

Os lindos olhos do Ricardo Robles também não chegaram para me convencer. Suspeito que uma conversa entre nós não sobreviveria ao tempo da partilha de uma garrafa de tinto! E isso é um indicador respeitável!
Eu tentei, Oh Meu Deus, como tentei!

Admito, com alguma vergonha, que a Assunção Cristas era a minha ministra preferida do anterior Governo, mas escutá-la agora provoca-me náuseas!  Em minha defesa, alego que a Ana Paula Vitorino é a minha atual ministra preferida. Logo, a culpa deve ser da pasta do Mar! 
Neste caso, já não tentei, o que vale também para os restantes candidatos!

Mas é inevitável que um deles arrebata o troféu, pelo que quero livrar a minha consciência de culpa e deixar aqui três conselhos a aplicar no concelho!!!!!!!

Coisas simples como:

Fim das varandas tapadas nas fachadas voltadas para a rua!!!!!!!!!!!! Já, por favor? É só proibir que se tapem varandas e começar a multar!! Os cofres da CML agradecem!

Fim dos cabos de eletricidade/telecomunicações// whatever pendurados nas fachadas dos prédios! Até as toupeiras conseguem fazer túneis... Já, por favor? É só proibir e começar a multar!! Os cofres da CML agradecem!

Fim das calçadas de calcário e basalto irregulares ou polidas! Os idosos, que costumam optar pelo alcatrão, agradecem! As/os adeptos de saltos altos agradecem! Os carrinhos de bebés, as cadeiras de rodas e os troleys dos turistas também agradecem! Andar a pé é inevitável para o lisboeta (a culpa é do Homo Erectus, não é do Homo Alfacinha)! Escorregar na nem sempre bela calçada é igualmente inevitável!

Desta vez é só isso, que não vos quero sobrecarregar de trabalho!
P.S.: Vou votar à mesma, provavelmente em branco, apesar de ter sido expulsa da minha freguesia (já não bastava o trauma das 4 Non Blondes) e ter sido transferida para as estatísticas de São Vicente (de quem não sou devota)!

jueves, 13 de octubre de 2016

Be mine, Valentino!



Valentino seria a marca de alta costura onde eu torraria os meus milhões. As últimas coleções são obras de arte: o Nobel do bom gosto!



A Miss Moss traduz isso muito bem nestes casamentos do mestre Pierpaolo Piccioli com os renascentistas, sobretudo, mas também com outros pintores



"Num beijo apertado de barco contra o cais"




Eu gosto de talent shows e nunca tinha dado a devida atenção às letras do Pedro Abrunhosa até assistir à interpretação que se segue e que está incluída na minha playlist no You Tube. Sublimes, os dois cantores!
(sem contar com o facto de ele parecer um retrato de Egon Schiele)






Eu não sei quem te perdeu
Pedro Abrunhosa




Quando veio, mostrou-me as mãos vazias
As mãos como os meus dias
Tão leves e banais
E pediu-me que lhe levasse o medo
Eu disse-lhe um segredo
Não partas nunca mais
E dançou
Rodou no chão molhado
Num beijo apertado
De barco contra o cais
E uma asa voa
A cada beijo teu
Esta noite
Sou dono do céu
E eu não sei quem te perdeu
Abraçou-me
Como se abraça o tempo
A vida num momento
Em gestos nunca iguais
E parou
Cantou contra o meu peito
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais
E partiu
Sem me dizer o nome
Levando-me o perfume
De tantas noites mais
E uma asa voa
A cada beijo teu
Esta noite
Sou dono do céu
E eu não sei quem te perdeu
E uma asa voa
A cada beijo teu
Esta noite
Sou dono do céu
E eu não sei quem te perdeu
E eu não sei quem te perdeu












miércoles, 13 de julio de 2016

PORTUGAL

Há três imagens que se irão fossilizar no coração de quem por Portugal viveu a final do Europeu de Futebol de 2016: a dor de Ronaldo, sentado, indiferente à traça que lhe pousava no rosto, por lhe terem roubado a oportunidade de continuar a lutar; o consolo inesperado do pequeno adepto de Portugal ao choroso adepto rival e o camião a transbordar de timorenses e de bandeiras portuguesas, em festejos nas ruas de Dili.

lunes, 29 de febrero de 2016

À sombra do "Spotlight"

Tendo em conta que o único filme nomeado para melhor filme nos Óscares 2016 que eu vi foi o "Spotlight", pouco posso dizer da justiça ou injustiça da escolha da Academia.

O que eu posso dizer é que o filme tem um elevado poder de moralização (a Academia não resiste a colar-se a esse poder): não estou a referir-me ao crime que a igreja católica cometeu ao autorizar a impunidade e a persistência da prática de crimes sexuais (a esse respeito, o filme limita-se ao que já se sabia), mas sim ao mérito da investigação no jornalismo. Essa é a tecla em que vale a pena insistir.


Eu gostava de saber quantos editores, chefes de redação, diretores de órgãos de informação coraram de vergonha ao verem o filme?


A denúncia óbvia do filme é menos importante do que o que ele denuncia indiretamente: a falta que fazem "Rezendes" nas redações.
E um filme que obriga a classe jornalística e a igreja a olhar-se ao espelho desta forma é capaz de merecer um óscar, mesmo sem ser um grande filme.


viernes, 15 de enero de 2016

Presentes do passado


A memória é truculenta: retém o que interessa e o que não interessa, mas também é capaz de deixar escapar coisas que gostaríamos de perpetuar.

Quando vejo uma exposição, assalta-me sempre alguma angústia que antecipa os detalhes que irei esquecer, contrariada. E se o filtro que baliza a memória me deixa lembrar que é sempre da esquerda que a luz espreita em todos os quadros de cenas domésticas de Vermeer que vi; do sobressalto que senti quando finalmente se agigantou o “David” do Miguel Ângelo, depois de uma obediente espera; da comoção inesperada que as esculturas de Rodin me causaram (foi o último museu que visitei em Paris e é dele que melhor me lembro); da sucessão de tapetes dos corredores do Vaticano, que vi a correr (literalmente) para conseguir chegar a tempo de babar a olhar para o teto da Sistina; que a impressão maior dos impressionistas é a intranquilidade latente de tudo o que posa para o pintor… mas esse filtro também me priva do muito que queria guardar.

Socorro-me com a escrita, domadora dos caprichos da memória.

Assim, depois de visitar no MNAA a “Colección Masaveu. Grandes Mestres da Pintura Espanhola Greco, Zurbarán, Goya, Sorolla”, registo:

José de Ribera atreveu-se a olhar para a vida como ela era: pintou o “Bêbedo” quando a maioria dos seus contemporâneos retratava santos de olhar suplicante em direção ao céu.

Os olhos de Cristo parecem cortados com espadas em “Jesus é despojado das suas vestes” de El Greco.

Que o melhor do Barroco está nos desenhos irrepreensíveis dos têxteis faustosos como o que cobre “Santa Catarina” de Zurbarán.

Que o meu avô iria apreciar as cenas pastoris de Pedro de Orrente.

Já eu fiquei particularmente encantada com as velas furiosas em contracena com a luz do Levante, nas marítimas de Sorolla, e com o protagonismo da música e da dança nas telas de Romero Torres.

martes, 17 de noviembre de 2015

A propósito do mundo, em geral, ou de mim, em particular

A morte é coisa certa, como é certo que daqui a 100 anos serei incapaz de reler o que escrevi...
Se esticar o pensamento até duvido se quero escrever por mais alguma coisa que não seja um salário, porque o meu contributo para o devir convoca a nulidade, mas não quero relativizar tanto, nem pensar tanto...

Porém, contrariando toda a razão que nos devolve ao nosso "nanotamanho", debatem-se escolhas, apontam-se dedos às sensibilidades!
Como se não soubéssemos todos, mesmo os hipócritas, que todos escolhemos!
Como se não soubéssemos todos que a escolha é por definição uma exclusão!
Como se, em consciência, preferíssemos o desconsolo de nada escolher...